Só depois de um tempo que percebemos que existe uma infinidade de possibilidades ao nosso lado e nós a ignoramos. Passamos um bom tempo sonhando com os roteiros de cinemas, as viagens incríveis, lugares que talvez não poderemos conhecer e esquecemos de olhar para o lado.
Sou natural de Santa Bárbara, Minas Gerais, mas precisamente da Vila (distrito) de Brumal. Brumal está localizado a mais ou menos 100 km de Belo Horizonte, seguindo pela rodovia BR 381 por cerca de 70 km, vira-se a direita para a MG 436 e depois MG 129 (ver mapa abaixo).
A Vila de Brumal fica próximo a Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra do Caraça (http://www.santuariodocaraca.com.br), local que por ironia do destino fui ser voluntário como monitor ambiental e conheci minhas duas paixões: a biologia e as "montanhas". O Caraça, carinhosamente chamado por nós, moradores da região, sempre esteve ali do lado, imponente no horizonte, mas antes desconhecido por mim.
A serra do Caraça faz parte do complexo da Cadeia do Espinhaço, cadeia de montanhas que corta o estado de Minas Gerais e vai até a Bahia. No Caraça estão situados os dois picos mais altos da Cadeia do Espinhaço, o Pico-do-Sol com 2.072 m e o Pico-do-Inficionado com 2.068. Além dos picos, lendas, histórias e a presença do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) tornam o lugar ainda mais encantador.
Com a ajuda de grandes amigos, os monitores do Caraça: Daniel, Carlos Paula e Marcelo; os guias: João Júlio e Geraldo Neneco e os amigos de Brumal: Murilo, Paulo Henrique e Wenderson, este desconhecido, logo ao lado de casa, passou a ser motivo de admiração. Já se passaram 9 anos desde a primeira vez que subi ao Pico-do-Sol, deste tempo pra cá, me aventurei em outros picos do Caraça, Pico-do-Inficionado, Verruguinha, Três Irmãos, Carapuça, Canjerana e por último, este ano juntamente com o amigo Filipe Madeira, concretizei um sonho de fazer a travessia entre Caraça e a cidade de Catas Altas, passando pelos Pico -José Escrivá, Pico-do-Baiano e Pico-da-Agulhinha.
| Vista do vale do Pico-do-Sol. Foto: Filipe Madeira. |
| Filipe Madeira e eu no cume do Pico-do-Sol. |
| Serra do Caraça, após atravessar o vale do quebra-ossos, as fendas "se cair, morreu", descida do Pico-do-Baiano. Foto: Filipe Madeira. |
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| Serra do Caraça, Francisco e eu no Pico-da-Canjerana. |
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| Vista geral da cadeia de montanhas da Serra do Caraça. |
A "vontade de subir a serra" não ficou restrita ao Caraça, tenho me aventurado pela Serra do Cipó, também em Minas Gerais. A famosa travessia Petrópolis-Teresópolis Rio de Janeiro e uma das mais incríveis da minha vida, a Cordilheira de Huayhuash no Peru. Isso tudo se deve aquele trabalho voluntário, que me fez querer ser biólogo e hoje, ter vários amigos de trabalho e profissão, que quando as coisas apertam, nos permite recorrer a essa válvula de escape que é ir para as "serras".
| Travessia Petrópolis-Teresópolis, Filipe Madeira, Felipe Leite, Bernardo Leopoldo e eu. |
| Travessia Petrópolis-Teresópolis, vista da pedra do Sino. Foto Marcelo Marques |
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| Cordilheira Huayhuash - Peru. Eu, o Sherpa, Marcelino, Felipe Leite, Eduardo Andrade, Bernardo Ranieri, Daniel Pizarro e Marcelo Marques. |
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| Vista dos picos nevados da cordilhera Huayhuash. |
Todas essas experiências foram possíveis graças a oportunidade e sensibilidade de olhar o que estava ao meu redor, portanto, antes mesmo de querer sair pelo mundo, abraçar todos os roteiros incríveis que existem ao redor do globo, comece olhando para o lado e explorando aquilo que sua cidade, estado e país tem para te oferecer.
Todos nós temos nossas montanhas para desbravar, então comece logo, não há nada melhor do que um belo Horizonte.





